Construção Colaborativa do Conhecimento

O processo de construção do conhecimento humano remonta há alguns milênios na história e sempre se deu num tempo próprio, lento e gradativo.

Desde os primeiros registros escritos, ocorrido há aproximadamente 4.000 a.C., até o armazenamento de dados em nuvens, que é nosso atual estágio, existe um longo caminho e, só para chegar nos sinais gráficos que hoje representam a nossa escrita, tivemos milênios de evolução.

No entanto, um fenômeno totalmente atípico começou a ocorrer após a revolução industrial, numa nova era que foi classificada como era da informação ou era digital.

Esse período compreende dos anos de 1970 em diante, que foi quando os computadores saíram dos grandes centros de pesquisa e desenvolvimento e, lentamente, começaram a fazer parte da vida de mais pessoas, embora, ainda de forma muito tímida e restrita a grandes empresas.

Foi em agosto de 1981 que a IBM lançou o seu computador IBM5150, considerado pela literatura como o primeiro computador de uso pessoal, devido ao seu custo mais acessível e recursos de processamento avançados, ao menos para a época.

Ressaltamos que a abordagem sobre a construção colaborativa do conhecimento, naturalmente, estará mais focada no conjunto de ferramentas tecnológicas que podem facilitar e propiciar esse processo.

Inevitavelmente, até para fins de embasar nossa fala, passaremos por algumas definições teóricas e clássicas sobre o processo de construção do conhecimento.

Antes de entrarmos mais especificamente nas questões tecnológicas, faremos algumas considerações sobre o processo de construção do conhecimento.

Para WERNECK (2006), embora o processo de construção de conhecimento possa ter mais de um significado, “basicamente, é entendido como construção de saberes universalmente aceitos em determinado tempo histórico ou como processo de aprendizagem do sujeito”.

Esse processo não é estático, ou seja, ele tem um dinamismo próprio e, segundo ENGELMANN e SORANÇO, apud FREIRE, “o conhecimento é visto como algo em constante movimento, ou seja, não é estático, pronto e acabado”.

Ainda de acordo com ENGELMANN e SORANÇO, apud ALVES (2012), “o processo de conhecimento é concebido por Freire como fenômeno cuja produção depende da relação de troca e interação, a qual é efetivada e caracterizada pela mediação social”.

Com base nesses conceitos vistos, podemos dizer que a construção colaborativa do conhecimento é a condição desejável do processo de aprendizado, ou seja, para que esse processo seja realmente atingido, necessitamos da troca com outras pessoas, precisamos da colaboração entre diversos agentes e, dessa interação, sairemos com diversos saberes diferentes.

Para GAROLFO (2019), “a aprendizagem colaborativa é uma maneira efetiva de tornar o aprendizado envolvente e significativo com atuação ativa dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem”, sendo, portanto, um instrumento que deve ser amplamente explorado no ambiente educacional, pois nos permitirá trabalhar técnicas e metodologias que extrapolem aos métodos mais tradicionais do ensino, facultando ao aluno trabalhar com problemas reais, assim como, em conjunto, buscar soluções factíveis para resolver esse problema proposto.

Agora que compreendemos melhor a importância da aprendizagem colaborativa, vamos passar a abordar esse processo pela ótica da tecnologia.

Começarei analisando o que é o conhecimento, sob a ótica dos princípios computacionais e, para isso, é necessário abordar ainda alguns pontos mais elementares, pois o conhecimento, em síntese, é o final de um processo muito detalhado e sofisticado.

No livro Princípios de Sistemas de Informação, os autores Ralph M. Stair e George W. Reynolds, estabelecem uma sequência para explicar o processo do conhecimento, que começa pelo dado, passa pela informação e termina no conhecimento, propriamente dito.

Esses passos estão representados na imagem abaixo:

Figura 2:  Processo do conhecimento

 

Entendendo melhor cada um desses conceitos:

  • Dado: Um dado pode ser entendido como um elemento primitivo ou um fato básico, que isoladamente, pode não significar nada.

Exemplos de dados: um número, um endereço, um nome, ou seja, um elemento ou um conjunto de elementos, mas que não transmite, por si só, nada além de um valor absoluto.

  • Informação: Em essência, podemos dizer que uma informação é um dado ou um conjunto de dados processados, de forma a transmitir algum sentido maior do que o dado isolado. São dados com certo valor adicional, por já terem sido manipulados através de alguma técnica de processamento.

Exemplificando com um sistema muito simples: suponha uma sala de aula e um sistema que controle as notas e faltas dos seus alunos. Cada aluno, com seus dados cadastrais, como: nome, endereço, filiação etc., são apenas dados isolados.

Quando você adiciona outros dados e acrescenta algum tipo de processamento, eles começam a se transformar. Suponha que você organizou esses alunos por ano e, dentro de cada ano, organizou uma lista de chamada.  Com a lista de chamada, você começou a controlar as frequências dos alunos.

No final do mês, você gera um relatório destacando os alunos que mais faltaram. Além disso, você vai lançando as notas das atividades e recebe a média calculada, com o resumo de quantos alunos foram aprovados ou não nessa turma.

Isso é um exemplo do que venha a ser a informação, que nada mais é do que um conjunto elementar de dados, tratados de acordo com um conjunto de regras específicas, de modo a produzir informações que ajudem a pessoa, no caso o professor, a controlar suas turmas.

Esse conjunto de regras específicas, aplicadas numa massa de dados, de forma a produzir informação, também é chamado e conhecido como processo.

A título de curiosidade, cito alguns dados extraídos do curso de Designer de Aprendizagem, oferecido pela Microsoft, onde são apresentados dados estatísticos, do ano de 2018, sobre a quantidade de informações compartilhadas pelos usuários em diversos aplicativos, em um único minuto. São eles:

    • Facebook: 2,5 milhões de informações.
    • Twitter: 300 mil novas publicações.
    • Instagram: 220 mil novas fotos.
    • E-mails: 200 milhões de mensagens.

Reforçando, essas estimativas são POR MINUTO e, certamente, quando você estiver lendo esse livro, esses números já estarão superados.

  • Conhecimento: De uma forma muito simples, podemos definir o conhecimento como “saber o que fazer com uma informação”. Muitas vezes, em diversos contextos, as pessoas se deparam com informações importantes, no entanto, podem não saber o que fazer com ela.

Quando isso acontece, a informação não serviu para nada, pois não produziu o conhecimento, em resumo, não ajudou ninguém, ou seja, é só uma informação e não um conhecimento.

Vamos aos exemplos, pois eles ajudam a entender melhor esses conceitos, que num primeiro momento, podem parecer confusos e todos iguais, mas não são.

Voltando para a sala de aula, imagine que ao final do ano letivo você tenha uma listagem completa, com todos os alunos que foram aprovados e reprovados, com gráficos ilustrando os percentuais, as faltas por turmas, alunos com melhor desempenho, entre várias outras possibilidades.

Tudo isso continua sendo informação. Veja, quando você tem um resumo, supondo uma turma de 20 alunos, dizendo que 5 foram reprovados por faltas, 2 foram reprovados por nota e 13 foram aprovados, o que isso te passa de conhecimento sobre os alunos que foram aprovados e sobre os que foram reprovados? Além disso, no que esses dados te ajudam a traçar estratégias para melhorar esses índices?

Se você acompanhou essa turma ao longo do ano, possivelmente você sabe muito mais coisas sobre ela do que o que o relatório te diz. Isso é conhecimento! O conhecimento transcende às informações.

Podemos dizer que o conhecimento tem que ajudar a pessoa a decidir melhor sobre um determinado assunto, pois se isso não acontecer, alguma falha no processo houve.

 

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