A pandemia do coronavírus e a tecnologia

Esse foi um capítulo não planejado e que, sinceramente, eu esperava nunca ter que escrever. Durante o tempo em que trabalhei a escrita desse material, ao menos, boa parte dela, a pandemia do coronavírus não era uma realidade, no entanto, as forças da natureza não pedem licença para causar grandes mudanças.

Muito do que abordei ao longo desse livro, como mera sugestão, ou ainda, como dicas aos colegas docentes, no sentido de aproximá-los da realidade tecnológica, hoje tornou-se algo praticamente impositivo.

As mudanças aconteceram de uma forma muito rápida, portanto, sem tempo para adaptações e os resultados não foram satisfatórios.

Com esse livro eu tentei trazer a necessidade de todos nós, professores, alunos, pais, governos e sociedade, discutirmos novas formas de ensinar e aprender, sobre como melhor utilizar os recursos tecnológicos na sala de aula, mas me surpreendeu a velocidade com que isso se tornou uma necessidade urgente e não mais um projeto a médio ou longo prazo, como estava acostumado a pensar.

A pandemia acabou evidenciando um pouco do que também abordo nesse trabalho, que são as questões das desigualdades sociais, da falta de políticas públicas e da falta de capacitações para os docentes.

As escolas particulares, já mais adaptadas à tecnologia, sentiram os efeitos da pandemia, mas numa escala um pouco menor. Já a maioria das escolas públicas, há muito tempo relegadas pelo poder público, foram as que mais sentiram os impactos negativos da falta de recursos tecnológicos.

Essas dificuldades, por sua vez, evidenciam uma falha muito grande no planejamento no sentido de incorporar as tecnologias na área educacional. Muitas escolas sequer tinham ferramentas básicas para poder promover as aulas online.

Por sua vez, muitos alunos também não possuem equipamentos adequados e acesso à Internet, fato que só agravou ainda mais a situação, deixando claro que existe uma necessidade gritante de revisar as políticas públicas, não somente no sentido de combater a exclusão digital, pois para que a exclusão digital seja superada, antes precisamos combater as desigualdades sociais.

Uma mudança, no mínimo curiosa, foi a alteração na forma como a tecnologia passou a ser tratada. Se há pouco tempo o esforço era para o aluno deixar o celular de lado, hoje o esforço é para que o aluno pegue o celular e veja a videoaula, além de realizar as tarefas propostas nos ambientes virtuais disponíveis.

Não faço parte do time dos extremamente otimistas, que acha que a pandemia veio proporcionar grandes oportunidades, até porque, nada que tenha ceifado milhares de vidas, pode ser visto como algo positivo, mas eu vejo que ela foi uma aceleradora de mudanças, ou ao menos, para evidenciar que muitas mudanças, profundas e estruturais, precisam ser feitas.

No momento em que escrevo esse capítulo, em março de 2021, ainda não existem dados concretos sobre os impactos da pandemia na educação. Os artigos publicados ainda trazem análises superficiais, uma vez que a pandemia ainda está em curso e os resultados estão sendo coletados e tratados. Creio que vamos demorar um tempo para conseguir ter uma dimensão exata de todos os impactos causados.

O fato é que a pandemia mexeu com as estruturas educacionais, evidenciou que a tecnologia precisa ser encarada com mais seriedade na educação, que precisa ser mais bem compreendida e explorada.

Naturalmente, durante a pandemia, muitos fatores contribuem para dificultar o ensino à distância e a incorporação da tecnologia, como por exemplo, a própria situação emocional, tanto de alunos, professores e famílias, pois todos nós, em maior ou menor grau, somos afetados.

Existe também a questão da participação familiar, pois os alunos, sem o contato direto com os professores, tendem a demandar mais da família, que por sua vez, também está sobrecarregada com o trabalho home office, ou estressadas com a falta de emprego.

Estamos muito longe de vivenciarmos uma situação corriqueira, portanto, é natural que as dificuldades hoje sejam maiores do que elas realmente são, uma vez que a nossa percepção da realidade também está alterada, por todos os motivos já expostos.

De qualquer forma, fica evidenciada a necessidade de acelerarmos o processo de incorporação da tecnologia no ambiente educacional, já não mais como um projeto inovador, pois poderíamos considerar esse fato como uma inovação há alguns anos, talvez até uma década atrás. Hoje ele já não é mais inovador, pelo contrário, está se tornando uma medida de contingência, no sentido de evitar danos ainda maiores ao processo de aprendizagem.

Sem adotar o caráter alarmista ou pessimista, mas diversos cientistas já alertam que essa pandemia não será a última e podemos, num futuro não muito distante, ter situações ainda mais difíceis, portanto, convém não ignorar a ciência, pois toda vez que isso acontece, os resultados nunca são bons.

Independente de novas pandemias ou não, creio que a realidade atual, a duras penas, mostrou que precisamos fazer essa transição digital na educação.

Não foi da forma como eu imaginava, ou menos ainda, desejava, mas parece que a mudança de postura em relação a tecnologia na sala de aula, mais do que nunca, se faz necessária e urgente.

Assista a videoaula desse capítulo

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