O perfil do novo profissional da educação

A nova geração exige uma nova forma de ensinar. Aquele professor clássico, respeitado por alguns e temido por muitos, conhecido pelos seus métodos catedráticos e clássicos, já foi superado há muito.

Vivemos um período complexo, pois ao mesmo tempo em que as novas gerações exigem cada vez mais habilidade dos educadores, uma corrente mais conservadora tenta retomar fórmulas antigas de ensinar.

Sem entrar no mérito dessa discussão, que não é o foco, vamos nos ater aos desafios que os profissionais da Educação enfrentam todos os dias em sala de aula.

As aulas meramente expositivas, com conteúdo repetitivos, onde o aluno aprende mais pela repetição do que pela compreensão, precisam ser repensadas com a máxima urgência, pois aprender consiste em algo muito maior a repetir conteúdos decorados.

No livro Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências educacionais e profissão docente, do autor José Carlos Libâneo, há uma discussão bastante ampla sobre o novo papel do professor, da escola e das relações entre os interesses do mercado e do modelo econômico, nos modelos educacionais e, ao longo desse capítulo, farei diversas citações do autor, que corroboram nosso texto em diversos sentidos.

Analisando a postura da escola e dos professores, frente a uma nova realidade e necessidade, tanto estrutural quanto econômica, LIBÂNEO (2002) destaca:

A escola precisa deixar de ser meramente uma agência transmissora de informação e transformar-se num lugar de análises críticas e produção da informação, onde o conhecimento possibilita a atribuição de significado à informação.

 

Muito se fala no desinteresse das crianças, jovens e adolescentes, mas esse questionamento também deve ser direcionado aos profissionais da Educação, afinal, qual seria a causa desse desinteresse aparente?

A geração atual faz parte de um contexto que muitos de nós, hoje profissionais da Educação, sequer imaginávamos há alguns anos, afinal, quem de nós, em idade escolar, imaginava usar um computador pessoal, ou mais surreal ainda, ter um verdadeiro computador no bolso e que ainda fosse utilizado como telefone?

As pesquisas acadêmicas geralmente eram feitas em livros, sendo a Enciclopédia Britânica Barsa, o suprassumo do conhecimento impresso. Ter um trabalho realizado com referência na Barsa era sinônimo de nota garantida.

Pergunte a qualquer criança hoje o que é a Barsa? Pode ser que a resposta seja: “não é barsa, é balsa”…

Em pouco mais de vinte anos a tecnologia deu um salto e viabilizou o surgimento de gadgets que fariam James Bond ter uma crise. Aos poucos, fomos aprendendo a usar essa tecnologia, fomos nos acostumando a sua inserção no dia a dia, pois para nós, ela não era algo natural, mas sim, uma barreira que muitos ainda não conseguiram transpor.

Por outro lado, essa nova geração não teve que fazer essa travessia, pois já nasceram inseridos dentro do contexto tecnológico, para eles, a utilização desses recursos é algo absolutamente natural e, não raro, vemos crianças em idade de iniciar seus estudos, dando aulas para os seus pais com esses “brinquedinhos tecnológicos”.

Diante dessa enorme mudança, como ficam os profissionais da Educação? Será que estamos preparados para lidar com essa nova geração, que será cada vez mais conectada e tecnológica?

Novamente recorremos a LIBÂNEO (2002), onde o autor também deixa sua percepção sobre o papel do novo professor, que segundo ele, deve ser “capaz de ajustar sua didática às novas realidades da sociedade, do conhecimento, do aluno, dos meios de comunicação”.

Em outro trecho, o mesmo autor ainda afirma que:

O novo professor precisaria, no mínimo, de adquirir sólida cultura geral, capacidade de aprender a aprender, competência para saber agir na sala de aula, habilidades comunicativas, domínio da linguagem informacional e dos meios de informação, habilidades de articular as aulas com mídias e multimídias.

 

Sem dúvidas, as dificuldades são muitas, pois as questões vão além da tecnologia, constituindo-se também numa quebra de paradigmas, numa reformulação de conceitos e metodologias, que extrapolam os limites daquilo que nós mesmos vivenciamos e tendemos a reproduzir.

Inevitavelmente, vamos abordar algumas questões políticas novamente, pois quando falamos no perfil desse novo professor, não podemos também deixar de lado a desvalorização dessa classe profissional, seja no setor público ou privado.

Também é preciso desmistificar o conceito de que apenas a educação pública apresenta problemas, pois não é verdade. A desvalorização dos profissionais da Educação acontece nas duas esferas, sendo que nas escolas privadas, em muitas instituições, além da desvalorização também sentida nas escolas públicas, ainda há a cobrança e a pressão por metas de resultados, que tornam a vida do professor ainda mais desgastante, quando não, também degradante.

Não podemos simplesmente esperar que o professor assuma todas as responsabilidades e todos os ônus desse constante processo de renovação e qualificação, até porque, a rotina de muitos sequer lhe permite ter tempo para isso.

Mais uma vez, as políticas públicas se fazem necessárias e não podem ser ignorados dentro desse contexto, do contrário, estaríamos apenas criando uma massa de professores que, aos olhos das novas tecnologias, teriam que ser descartados, pois não possuem as necessárias competências e habilidades para desempenhar o seu papel docente com o auxílio dessas novas ferramentas, o que seria uma crueldade!

Nossos alunos hoje buscam relações entre aquilo que eles estão aprendendo e o mundo. Absolutamente nada passa despercebido, tudo tem que ter uma explicação. Me lembro que, em idade escolar, não raro, questionávamos principalmente os professores de matemática, pois queríamos entender a fórmula que nos era passada e, como resposta, normalmente vinha um: “não precisa entender, copie e pronto”. Aceitávamos, até porque, acredito que não pelo respeito, mas pelo medo, quem ousaria questionar a autoridade do professor.

Hoje essa resposta seria refutada de pronto. O aluno está errado? De forma alguma, ele está ali para aprender e o aprendizado precisa sim se conectar com o mundo, do contrário, para que ele serve?

É uma piada constante, mas ilustra esse contexto, a famosa frase: “mais um ano se passa e eu continuo sem saber para que serve e onde usar a fórmula de Bhaskara”.

Essa mudança exige do docente uma nova postura, uma nova formação e um novo preparo. Preparo para lidar com situações improváveis e impensáveis, preparo para lidar com naturalidade frente aos questionamentos dos alunos, pois esses não são mais agentes passivos do processo de aprendizagem, mas sim, cada vez mais, são agentes transformadores do conhecimento.

Essa mudança pode ser encarada de uma forma muito positiva ou muito negativa. Tudo vai depender do preparo do próprio docente.

Quando o docente está preparado, ele não só espera como deseja o questionamento, a inquietação dos seus alunos, pois sabe que o processo de aprendizagem é uma viagem por mares agitados e que a aquisição do conhecimento tira qualquer um da calmaria.

Por outro lado, quando não há esse domínio, tende-se para uma atitude mais autoritária e proibitiva, que resultará numa catástrofe completa, pois os alunos perderão de vez o respeito pela figura do professor, que terá cada vez menos domínio da sua classe, tornando-se um círculo vicioso, que não raro, vemos com frequência em muitas escolas.

Novamente, buscamos em SILVA (2004) o embasamento desse ponto de vista, quando o autor expressa que:

Da Educação Infantil à Pós-graduação, a Escola tem se mostrado uma grande especialista em proibições, em afastar o novo, o diferente. Dos inofensivos joguinhos eletrônicos banidos da sala de aula aos computadores de última geração (representantes do neoliberalismo, do imperialismo cultural, da globalização ou até mesmo da pós-modernidade reacionária) passando pela TV, pelo vídeo e por tantas outras facetas tecnológicas ou não, a escola poderia receber o troféu de campeã em proibições.

 

Proibir, nos dias de hoje, a tecnologia em sala de aula beira o absurdo. Naturalmente que os alunos não podem usar dos recursos apenas como fonte de distração, mas não podemos nos esquecer que a tecnologia é uma ferramenta, assim como o giz e a lousa já foram os reis da sala de aula.

Hoje, cada vez mais, o giz e a lousa perdem espaço e, em substituição, temos os celulares, tablets, notebooks e uma infinidade de outros equipamentos que vão surgindo.

Compete ao docente orientar seus alunos na correta utilização dessas ferramentas, aliando-as ao processo de ensino e aprendizagem, pois esses recursos, como já o dissemos, são absolutamente naturais a boa parte dos alunos. Se assim o são, por qual motivo não despertar no aluno o interesse de utilizá-los para algo além daquilo que eles já conhecem.

Ao invés de uma aula cansativa e teórica, por que não estimular os alunos a buscarem o conhecimento e servir apenas como agente de direcionamento desse conhecimento?

Uma fórmula certeira para o fracasso é a proibição. Por natureza, o ser humano, em especial as novas gerações, são contestadores, portanto, como já foi dito, proibir alguma coisa é a certeza de que essa coisa será feita.

A máxima é antiga, mas ainda válida: “É proibido proibir”. Não proíba, oriente. Você ganhará um importante aliado e uma ferramenta poderosa para complementar sua aula.

O perfil que se espera do novo profissional da educação é um perfil desafiador, estimulador, incentivador e facilitador do processo de aprendizagem e, segundo SILVA (2004), “o professor passa a ser um estimulador e coordenador do processo ensino-aprendizagem e não mais um mero transmissor de um conhecimento fragmentado em disciplinas”.

Nada mais que lembre aquele professor rígido, austero, o que não quer dizer que a autoridade não exista ou que a disciplina não tenha que ser mantida, pois uma coisa, em absoluto, implica na falta da outra, mas a grande questão aqui é a busca por novas metodologias, ou seja, novas formas de facilitar o processo.

O profissional da educação contemporâneo deve ser capaz de transitar com facilidade entre o meio analógico e o digital.

O meio analógico é aquele em que os recursos tecnológicos não estavam disponíveis, por exemplo, não existiam computadores, smartphones, Internet e nenhum desses recursos que hoje utilizamos.

Já o meio digital consiste no que temos e vivemos atualmente, ou seja, um mundo cercado por componentes e dispositivos eletrônicos, o acesso relativamente mais fácil aos recursos de computadores, Internet ou qualquer outro dispositivo.

Essa definição apresentada consiste numa exemplificação do que seja o analógico e o digital. Partindo para uma explicação mais técnica, o sinal analógico é um sinal que possui maiores variações em função do tempo, ao passo que o sinal digital, possui menos variações, sendo, portanto, um meio mais confiável e preciso.

O sinal analógico, que era utilizado, por exemplo, para transmitir o sinal para as antigas televisões, pode ser representado no formato de uma onda, oscilando entre frações dos números, ao passo que o sinal digital, utilizado nos computadores, é quadrado, por oscilar apenas entre números inteiros.

Agora que você já conseguiu melhor visualizar a diferença entre um e outro, voltamos para o perfil profissional do docente e a sua relação com esses conceitos. Aproveito para registrar que intencionalmente, alguns parágrafos acima, citei que o professor deve ser capaz de transitar entre o meio analógico e digital, pois não estou dizendo que tudo o que não seja digital tenha que ser menosprezado, pelo contrário. Toda experiência e aprendizado é importante, apenas reforço a necessidade de construir a ponte entre esses dois mundos.

A maioria de nós, que hoje atuamos na Educação, nascemos na era analógica, portanto, o meio analógico é o nosso habitat natural, que é o meu próprio caso, já que nasci numa época em que toda a tecnologia atual era impensável, mas por outro lado, devemos manter a capacidade de adaptação a uma realidade totalmente desafiadora e, mais que isso, integrá-la como um importante instrumento de trabalho, dialogando com naturalidade também no mundo digital.

Para BEHAR (2009), um Modelo Pedagógico (MP) para o Ensino a Distância (EaD) deve conter dois elementos fundamentais (Figura 01), que são: a Arquitetura Pedagógica (AP) e a Estratégia (E) para a sua aplicação.

Elementos do Modelo Pedagógico – Behar

Figura 1 – Elementos de um Modelo Pedagógico

 

Ainda segundo BEHAR, a Arquitetura Pedagógica, um dos elementos do Modelo Pedagógico, é constituída pela seguinte estrutura:

  • Aspectos organizacionais: são os fundamentos da proposta pedagógica, os propósitos do processo de ensino-aprendizagem, a organização do tempo e do espaço, além da organização social da classe;
  • Conteúdo: são as ferramentas de aprendizagem, como por exemplo, materiais instrucionais, recursos informáticos e objetos de aprendizagem. É importante que o docente tenha sempre a percepção, de que é preciso aliar vários elementos e fontes, pois somente um livro ou uma apostila ou qualquer outro meio, utilizado de forma isolada, não seja capaz de atingir os objetivos propostos;
  • Aspectos metodológicos: são as atividades programadas, as formas de interação entre os alunos, procedimentos avaliativos e a organização desses itens numa sequência didática. Os métodos utilizados devem deixar claro ao aluno aonde se pretende chegar, quais serão os possíveis caminhos a serem percorridos e quais serão os critérios utilizados para medir o alcance dos objetivos propostos;
  • Aspectos tecnológicos: é a definição do ambiente tecnológico que dará suporte ao conteúdo e ao método utilizado. Pode ser, por exemplo, um ambiente virtual de aprendizagem, softwares, redes sociais, meios de comunicação online, assim como, qualquer ferramenta tecnológica que possa ajudar o processo.

 

Competências Desejadas para Professor / Tutor EaD

Garcia e Garbin (2010), definem as competências desejadas para um professor de EaD, competências essas que tomo a liberdade de extrapolar a todos os professores. Essas competências desejadas são: tecnológicas, pedagógicas, ligadas ao sujeito e exploratórias.

  • Competências tecnológicas: referem-se ao domínio de ferramentas e aplicativos, sendo capaz de escolher as que melhor se adaptem ao processo de ensino-aprendizagem. Dada a enorme variedade de softwares e ferramentas disponíveis, naturalmente o docente não terá condições de conhecer e avaliar todas, no entanto, é necessário que conheça muito bem ao menos algumas opções, além de sempre estar atendo aos lançamentos, promovendo trocas e atualizações constantes.
  • Competências pedagógicas: um erro que infelizmente pode acontecer é supor que a tecnologia substitui o papel do professor. Ela ajuda, ela complementa, mas o papel de criar materiais, elaborar tarefas, além de estimular ambientes que potencializem o processo de ensino-aprendizagem, continua sendo essencialmente humano, pois a educação é um ato de amor, portanto, embora todo o avanço tecnológico que possa existir, as competências pedagógicas nunca deverão ser menosprezadas em detrimento a qualquer tecnologia.
  • Competências ligadas ao sujeito: esse é outro ponto que, principalmente nos tempos atuais, merece destaque, pois aborda a necessidade de considerarmos as diferenças interculturais, os diversos contextos e interatividade, além do afeto que deve existir na relação entre professor e aluno.
  • O processo de ensino-aprendizagem deve sempre levar em consideração as relações de afeto entre o professor, o aluno e meio ambiente.
  • Competências exploratórias: refere-se à capacidade de saber como aprender, de compreender as novas tecnologias de comunicação e empregá-las como ferramentas capazes de intensificar a relação ensino-aprendizagem.
  • Todo conhecimento só faz sentido quando encontra relação direta com o dia a dia e quando serve para resolver ou ajudar a resolver problemas cotidianos. 

Aprender tecnologia somente por aprender ou porque a escola ou instituição achou que é necessário, definitivamente não é a melhor forma, pois a tecnologia deve fazer sentido para o docente em sua vivência na sala de aula, deve servir para ajudá-lo na relação com seus alunos, promovendo um ambiente mais direto e interativo. Dessa forma, a tecnologia deixa de ser um entrave e passa a ser uma aliada, abrindo espaço para novos horizontes.

Os desafios para os profissionais da Educação são inúmeros, novas habilidades e competências surgem com frequência, portanto, a busca pelo saber também deverá ser frequente.

Utilizando os próprios recursos tecnológicos a nosso favor, hoje podemos ter acesso a conteúdos de excelente qualidade, com certificação e sem custo.

Grandes corporações do mundo da tecnologia começaram a entender que a Tecnologia e a Educação são praticamente indissociáveis e que, para que essas áreas tenham êxito, a capacitação do docente deve ser constante.

Interesses mercadológicos à parte, a Microsoft é uma das empresas que disponibiliza cursos muito bons voltado aos profissionais da Educação e, a seguir, falarei sobre o curso Designer da Aprendizagem para o Século XXI, que tem como um dos objetivos, aproximar a teoria da prática nas iniciativas para uma educação inovadora.

O curso 21 LCD, como é chamado na plataforma da Microsoft, aborda questões importantes, fornecendo subsídios muito úteis aos profissionais da Educação, que segundo o material do curso, deve desenvolver diversas habilidades, que são exploradas em detalhes, mas vou me ater em algumas apenas, pois elas estão em acordo com o que tratamos nesse capítulo, que são:

  • Saber aprender: pois o professor precisa ter a capacidade de se reinventar constantemente, se envolve nos desafios e anseios dos seus alunos e isso demanda uma capacidade muito grande por absorver novos saberes.
  • Capacidade colaborativa: o processo de ensino e aprendizagem se torna cada vez mais uma atividade que deve ser desenvolvida em grupos, onde haja estímulo para a solução conjunta de problemas, compartilhando todas as etapas de processo, assim como, o resultado final obtido, que deixa de ser focado no indivíduo e passa a ser focado no grupo.
  • Capacidade de comunicação: o professor do século XXI precisa ser conectado com as múltiplas formas de comunicação, não que a comunicação formal tenha deixado de ser importante, pelo contrário, mas saber falar a língua do seu público também é fundamental para gerar empatia e se aproximar dos alunos, que certamente se sentirão mais à vontade e confortáveis para expressar seus pontos de vista de uma forma muito mais próxima ao cotidiano de cada um deles, sem se prender aos formalismos, que reforço, devem sim ser vistos e aprendidos, mas não são a única condição e meio para estabelecer uma comunicação eficiente ao longo do processo de ensino e aprendizagem.

Algumas coisas, no entanto, não mudaram ao longo dos milênios e, creio eu, nunca mudarão.

Qualquer educador, em qualquer tempo, sempre deverá ter em mente que sua responsabilidade é única, pois está formando pessoas para a vida, portanto, a paixão pelo ser humano e a paixão por querer despertar o melhor no outro, são características que jamais cairão em desuso.

O combustível que nos move será sempre a esperança de uma sociedade mais justa e equilibrada, com seres humanos mais éticos e responsáveis. O desafio é gigante, mas o amor e a crença no ser humano são maiores!

  • Capacidade de resolver problemas e inovar: a capacidade de resolver problemas e de inovar, podemos dizer, praticamente é inerente a atividade docente, pois os desafios são inúmeros e a criatividade é fator fundamental para o sucesso da atividade profissional, portanto, estar aberto a novos olhares, buscar por soluções criativas e não ter medo do desconhecido, são requisitos da prática docente, assim como, naturalmente, de muitas outras profissões.

A inovação não consiste em apenas criar soluções inéditas, mas também, a de dar novos significados e olhares para soluções já existentes, adaptando-as a um novo contexto ou realidade, sempre mantendo o foco no processo de crescimento e aprendizado dos alunos.

  • Uso da TIC para a aprendizagem: esse é o tema central desse livro, fator que me motivou a escrevê-lo, pois os recursos tecnológicos precisam ser vistos como importantes aliados do processo educacional.

 

Novas Exigências Educacionais da Profissão Docente

Seguindo nossos estudos, em relação a nova postura dos docentes, frente ao desafio da era digital, voltamos agora para LIBÂNEO (2002), no livro Adeus Professor, Adeus Professora? Novas exigências educacionais e profissão docente, quando o autor enumera um conjunto de dez novas atitudes que se espera dos docentes, que segundo o autor, são:

  1. Assumir o ensino como mediação: aprendizagem ativa do aluno com a ajuda pedagógica do professor;
  2. Modificar a ideia de uma escola e de uma prática pluridisciplinares para uma escola e uma prática interdisciplinares;
  3. Conhecer estratégias do ensinar e pensar, ensinar a aprender a aprender;
  4. Persistir no empenho de auxiliar os alunos a buscarem uma perspectiva crítica dos conteúdos;
  5. Assumir o trabalho de sala de aula como um processo comunicacional e desenvolver capacidade comunicativa;
  6. Reconhecer o impacto das novas tecnologias da comunicação e informação na sala de aula;
  7. Atender à diversidade cultural e respeitar as diferenças no contexto da escola e da sala de aula;
  8. Investir na atualização científica, técnica e cultural, como ingredientes do processo de formação continuada;
  9. Integrar no exercício da docência a dimensão afetiva;
  10. Desenvolver o comportamento ético e saber orientar os alunos em valores e atitudes em relação à vida, às relações humanas, a si próprios.

 

Naturalmente, não vou aqui reproduzir todo o conteúdo abordado por Libâneo, mas optei por deixar registrado os dez itens, pois todos eles são conhecimentos que precisamos buscar constantemente.

Destacarei os itens 5 e 6, pois estão diretamente ligados ao nosso objeto de estudo ao longo desse livro.

O autor destaca a necessidade de desenvolver as capacidades comunicativas, ”não só para a busca de informação, mas também para a emissão de informação”, pois esse é um dos pilares da era da informação, em que estamos inseridos.

Um dos papéis do docente é o de trazer orientações sobre as fontes de informações e, nesse aspecto, farei uma breve correlação com um assunto extremamente delicado e atual, que são as fake News. Esse tópico será abordado no capítulo “Quais são os limites saudáveis da tecnologia?”, onde tratarei alguns aspectos negativos da tecnologia e, sem dúvida, não poderíamos nos furtar a falar sobre essa delicada temática.

Para que os alunos consigam emitir informações de qualidade, eles também precisam saber em quais fontes podem confiar. Essa identificação envolve um complexo trabalho que, naturalmente, demandará toda a formação e conhecimento adquiridos pelos alunos e não somente uma regra de classificação, dizendo o que é confiável e o que não é, pois se assim o fizermos, limitaremos o aluno a um ponto de vista bastante reduzido, que não condiz com os objetivos da formação escolar desejada, ou aquela que propicie, cada vez mais, a autonomia dos alunos.

Voltando aos dez itens listados, podemos dizer que, para que o aluno tenha plenas condições de exercer um bom processo de comunicação, ele deve ter assimilado os outros quatros itens que o antecedem.

Já em relação ao item seis, quando o autor fala em reconhecer o impacto das novas tecnologias, LIBÂNEO também faz um importante alerta. Diz ele que “é preciso, portanto, que os professores modifiquem suas atitudes diante dos meios de comunicação, sob o risco de serem engolidos por eles”.

Essa afirmação do autor, também corrobora nosso ponto de vista, que é a urgência em mudarmos nossas perspectivas e ações, deixando de negar que a tecnologia se faz cada vez mais presente e, além disso, que ela se faz necessária em nossa vida.

Naturalmente, não nos furtamos às críticas em relação à má utilização desses recursos tecnológicos, assim como, das desigualdades que o uso dessas ferramentas pode ocasionar, em especial, dentro de sistemas educacionais com grandes desigualdades sociais, como é o caso do Brasil.

Por outro lado, negar os recursos hoje existentes não é a solução para o problema e, como afirma SILVA (2004): “o computador é uma realidade e a escola vai ter de encará-lo. É preciso que a educação o veja como uma máquina que pode trabalhar a seu favor e não contra ela”.

Partindo para o final desse capítulo, vale ressaltar que, a despeito de todo o progresso e avanço tecnológico, é fundamental também exaltar o papel do educador, pois ele é o agente principal de todo o processo de mudança e, sem ele, nada acontecerá.

Diante do papel essencial do professor, é necessário repensar a prática docente com a adoção das tecnologias, pois isso implica no fato do docente estar atento as mudanças que estão ocorrendo e das inovações que estão chegando.

É necessário estabelecer políticas de capacitações e estímulos, para que os professores possam, de fato, mergulhar nesse novo mundo digital, percebam que novas e empolgantes oportunidades podem ser utilizadas e, diante desses novos horizontes, que consigam se libertar dos métodos tradicionais de ensino, pois se estes também não forem superados, por mais modernos que sejam os recursos tecnológicos, nenhum resultado positivo será igualmente alcançado. Essa será a temática do nosso próximo capítulo.

 

 

Assista a videoaula desse capítulo

 

 

Curso na Plataforma Hotmart

 

Para ter acesso ao material completo, adquira nosso curso na Plataforma Hotmart. Clique para acessar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *