Quais são os limites saudáveis da tecnologia?

Agora, fazendo um contraponto aos benefícios, também me vejo no dever de alertar para alguns riscos que o uso constante das Tecnologias pode trazer para as nossas vidas. Esse capítulo foi resultado de uma apresentação realizada na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia de 2019, no Instituto Federal de Ciência e Tecnologia de São Paulo, Campus Capivari.

Muitos de nós vivemos num mundo conectado, estamos o tempo todo online e o acesso à Internet está aumentando significativamente.

Tudo isso poderia ser somente um fato positivo, mas temos muito a refletir sobre esse aumento do uso das TICs no nosso cotidiano.

As mudanças provocadas pelo crescimento do uso da tecnologia, já há alguns anos, estão provocando alterações comportamentais e estruturais em nosso cérebro, alterações essas que nos permitem lidar com uma infinidade de informações, ao mesmo tempo que restringem o nosso poder de conhecimento.

Farei a análise de alguns dados estatísticos, que comprovam o aumento do uso dos dispositivos eletrônicos e da Internet, passando pelas mudanças em nossos padrões de comportamento, provocados pela ampla exposição a essa própria tecnologia, nos trazendo constantes sensações de angústia, ansiedade e um senso de urgência que não corresponde à realidade dos fatos.

Posteriormente, passarei para a análise das manipulações de dados que são frequentemente realizadas. Essas manipulações, normalmente fruto da nossa própria exposição, nos prendem a um círculo vicioso, mantendo-nos num emaranhado de notícias falsas, que muitas vezes se confundem com a realidade, tornando a distinção entre o real e a ficção, uma tarefa bastante difícil.

Finalizo abordando os vazamentos e as vendas dos nossos dados e o perigo que isso representa. Esse perigo, ao contrário do que se temia há alguns anos, está longe de ser somente a realização de uma compra falsa pela internet, ou ainda, a falsificação ou clonagem de cartões de crédito, pelo contrário, essas manipulações podem trazer consequências muito mais desastrosas, mesmo no campo da geopolítica, como a influência no destino das eleições de um país, com todos os desdobramentos que isso pode gerar.

 

(Esse tópico não está disponibilizado na íntegra. Esse texto prossegue)

 

O Crescimento do Uso da Internet

A utilização da Internet vem crescendo significativamente ao longo dos últimos anos e, segundo dados obtidos através do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), no Brasil, em 2018, aproximadamente 67% dos lares possuíam equipamentos com acesso à Internet. A título de comparação, a média mundial é de 57%.

Outro relatório, da agência We Are Social, a maior agência especializada em mídias sociais, no ano de 2018 o Brasil teve um crescimento de 7,2% em relação ao número de usuários com acesso à Internet.

Já os números de crescimento em relação as redes sociais foram um pouco maiores, em torno de 7,7%. O relatório ainda destaca que o brasileiro gasta, em média, 9 horas e 29 minutos por dia na Internet. A média global é de 6 horas e 42 minutos.

Dessas horas diárias na Internet, aproximadamente 3 horas e 34 minutos são dedicadas as redes sociais, sendo que só no Facebook, são em torno de 130 milhões de usuários.

Esses dados podem ser positivos por um lado, afinal, podemos considerar que está havendo uma diminuição da exclusão digital, algo que podemos comemorar.

No entanto, também há um lado bem negativo em tudo isso, que é exatamente o impacto que a Internet está causando em nossas vidas, impactos esses que vão de alterações comportamentais, sociais, cognitivas e físicas, alterando, inclusive, regiões do nosso cérebro.

Lançado em 2010, o livro “A geração superficial: o que a Internet está fazendo com os nossos cérebros?”, do jornalista e escritor americano Nicholas Carr, traz um estudo bastante profundo sobre a influência da Internet em nossas vidas e o quanto ela está nos transformando, como o próprio título do livro sugere, numa geração superficial. O livro ficou entre os finalistas do Prêmio Pulitzer em 2011.

Essas alterações e influências do uso da Internet também foram abordadas no artigo “O que a Internet está fazendo com as nossas mentes? Com uma resenha do livro de Nicholas Carr – A Geração Superficial”, de autoria de Valdemar W. Setzer, publicado em 2012 e que se baseou no livro acima citado.

Nesse artigo, Setzer apud Carr lista ainda uma série de alterações que o uso da internet pode causar. São eles:

  • Provoca distração;
  • Altera a estrutura cerebral;
  • Influencia a maneira de pensar e de agir;
  • Produz influências que podem ser irreversíveis;
  • Uma dessas influências é a perda da calma interior e do autocontrole;
  • O processo de reversão das suas más influências é penoso e lento, podendo haver recaídas no meio do caminho;
  • Seu uso intenso, no lazer, no trabalho ou na vida social, torna mais difícil o processo de reversão.

Todos esses fatores são muito facilmente perceptíveis em boa parte da população, em especial, entre os jovens, uma vez que a taxa de utilização da Internet entre eles é muito maior.

(Esse tópico não está disponibilizado na íntegra. Esse texto prossegue)

 

As Mudanças do Nosso Padrão de Comportamento

A Internet e todos os demais recursos tecnológicos, além das mudanças físicas que já mencionamos, estão acarretando uma série de alterações comportamentais, como por exemplo, o senso de urgência que tomou conta da maioria de nós, transformando-nos em pessoas extremamente ansiosas, irritadas e sem a menor paciência para aguardar por qualquer coisa, pois tudo se tornou questão de vida ou morte, de urgência e que nos exige cada vez mais ações imediatas.

Segundo a psicóloga Tatiane Mosso, palavras como:

mais tarde, depois e, em breve, não são palavras apreciadas por muitos de nós que vivemos em um mundo onde tudo é expresso e semipronto, onde a pressa da maioria parece até apressar aos que nem pressa tinham, mas que acabam sendo afetados pelo modo de ser dos outros.

Essa ansiedade constante, aliada a necessidade de viver uma “vida perfeita”, empurra-nos cada vez mais para o mundo virtual, que se tornou uma válvula de escape aos problemas do cotidiano, um lugar onde podemos ser aquilo que gostaríamos de ser: perfeitos, economicamente estáveis, equilibrados, entre tantas outras virtudes que são muito mais virtuais do que reais.

Dessa fuga, surge outro fenômeno, que é o medo de ficar de fora, numa tradução literal do inglês Fear of Missing Out (FoMO). Segundo o site Psicanálise Clínica, o FoMO foi identificado pela primeira vez pelo Dr. Dan Herman, em 1996 e o primeiro trabalho acadêmico sobre esse assunto foi publicado nos anos 2000, no The Journal of Brand Managment.

(Esse tópico não está disponibilizado na íntegra. Esse texto prossegue)

 

Ainda Existe Privacidade?

 

Essa é uma pergunta pertinente: ainda temos privacidade?

O conceito de privacidade também foi bastante abalado e relativizado, no entanto, eis um assunto da máxima importância e seriedade, pois essa história de que “minha vida é um livro aberto” pode até ser bonita, contudo, na prática, ser um livro aberto pode nos trazer graves consequências e não estou falando de segredos sórdidos, mas sim, de rotinas do dia-a-dia, que quando colocadas em mãos criminosas, podem trazer consequências desastrosas e perigosas.

Um dos escândalos mais recentes e de grandes proporções foi o vazamento envolvendo o gigante Facebook e a Cambridge Analytica, que veio ao conhecimento público em 2018.

Toda polêmica surgiu quando vieram à tona as revelações de que o Facebook repassou dados de aproximadamente 50 milhões de usuários, sem o menor conhecimento ou consentimento destes.

Esse vazamento se tornou um escândalo de grandes proporções e impactos financeiros e judiciais, conforme a reportagem do caderno de Economia e Tecnologia, do G1, intitulada “Entenda o escândalo de uso político de dados que derrubou valor do Facebook e o colocou na mira das autoridades”, publicada em 20/03/2018.

Tudo começou com um jogo, um teste de personalidade, que os usuários foram incentivados e direcionados a responder. Esse teste foi desenvolvido por Aleksandr Kogan, um pesquisador da Universidade de Cambridge e fazia parte de uma pesquisa acadêmica, que tinha por objetivo, mostrar a influência das redes sociais nas escolhas políticas dos seus usuários.

Ao responder o teste, os usuários concordavam em ceder seus dados para fins acadêmicos, no entanto, esses dados extrapolaram os limites científicos e acabaram por ser usados para influenciar, até onde se sabe, o resultado do Brexit e as eleições americanas, onde o Trump foi eleito.

Com o perfil psicológico e comportamental dessa massa de usuários, foi possível fazer previsões de tendências, antecipando estratégias eleitoreiras, como a divulgação de Fake News, que atingiram grupos específicos, já anteriormente identificados como mais suscetíveis e influenciáveis.

(Esse tópico não está disponibilizado na íntegra. Esse texto prossegue)

 

Tecnologia: Bênção ou Maldição?

Concluindo esse capítulo, volto a provocação inicial e, depois de tudo isso, vou falar o óbvio: a tecnologia não é nem uma bênção e nem uma maldição.

A tecnologia é uma ferramenta, mas que nunca, em hipótese alguma, poderá substituir a nossa capacidade intelectual. Podemos usá-la e não prego o contrário, mas temos que aprender a racionalizar esse uso, pois a partir do momento em que a tecnologia começa a atrapalhar qualquer atividade da nossa vida, temos que tomar cuidado!

Se você está lendo um livro, leia o livro e se desconecte do mundo. Crie hábitos que não envolvam o mundo online, comece a desintoxicar seu cérebro.

Se você está na aula, viva a aula, ouça seu professor, fale com colegas e, desde que o celular não faça parte de alguma atividade direcionada, esqueça-o durante esse tempo.

 A tecnologia pode ser uma grande aliada do professor na sala de aula, assim como, ela também pode ser uma grande aliada dos alunos, pois pode proporcionar novos olhares para o processo de ensino-aprendizagem, no entanto, também nos cumpre o papel de ressaltar que a tecnologia, por si só, não vai resolver nenhum problema educacional, aliás, nenhum problema de qualquer ordem,  pois esperar que uma ferramenta seja a solução mágica para qualquer coisa, seria mais ou menos como esperar que uma caneta escrevesse uma redação sozinha.

O feeling do professor continuará sendo sempre fundamental, pois educar é um processo essencialmente humano e, sem ele, facilmente podemos cair nas armadilhas tecnológicas, conforme abordamos ao longo da nossa escrita.

A Internet e todos os recursos tecnológicos que hoje temos acesso, estão promovendo transformações em nossas vidas, queiramos ou não. Nos tempos atuais, ainda que você não seja um adepto do uso de smartphones, computadores e redes sociais, ainda assim, de alguma forma, você estará exposto, pois uma simples compra numa loja de rede fará com que seus dados sejam inseridos em alguma plataforma.

Seu padrão de consumo certamente está sendo monitorado através da sua operadora de cartão de crédito. Dessa forma, podemos praticamente afirmar que é impossível não se expor digitalmente, exceto se você morar numa ilha deserta, sem qualquer equipamento eletrônico por perto.

O controle que podemos e devemos ter em mãos será sempre a forma como estamos utilizando esses recursos e todo esse novo mundo que as ferramentas tecnológicas nos proporcionam.

Ter a percepção dos limites entre a abertura de novos horizontes, ou então, do nosso mergulho numa bolha é o que pode fazer a diferença entre o bem e o mal, quando falamos da tecnologia.

 

Fim do conteúdo degustação desse capítulo. Se você está gostando e quer ter acesso ao conteúdo completo, acessa plataforma Hotmart e adquira o curso agora mesmo.

Assista a um trecho da videoaula desse capítulo

 

 

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